Pedro sentado em um tronco, olhos de sonâmbulo fixados no horizonte; pensando em voz alta: - Devo ir? Nosso bom rei promete terras e ferramentas de trabalho para todas as famílias que desejem deixar Portugal. Devo acreditar em tais promessas?
“Pedro, você deve estar louco!
Você tem cinco pequenos e sua esposa é doente. Levará três meses para chegar ao Brasil nesse navio miserável...”
- Deus, se ficarmos aqui certamente morreremos! Talvez uma outra chance de vencer espere por nós nessas novas terras. Nosso rei é um pai para todos...
“Pedro, o que você fez? Você já esqueceu como contar as noites: com estrelas ou com os mortos.
Dois de seus pequenos estão sepultados no mar, vitimas de sua confusão.
Que os céus tenham misericórdia, Pedro. O que você fez?”
- Meu Senhor, onde estão minhas ferramentas? Minhas terras, meu rei?
Em Portugal não tínhamos nada. Aqui temos nada menos dois filhos. Ao redor tudo é lamento: Meu amigo, Camilo foi morto pelos índios. Vitor está morto sob uma árvore; minha esposa, pobre Julia, perdeu seu juízo e gasta suas horas cavando à procura de ouro, de nossos filhos perdidos.
“Pedro, você fez apenas as escolhas erradas até aqui. Para alimentar seus filhos você roubou um cavalo. Seu rei agora te chama de ladrão e uma vala, um túmulo, já está preparado sobre a coxilha.”
Nossa, cara, esse texto é seu?
ResponderExcluirPorra, muito bom.
ResponderExcluirMuito bom mesmo.
Não dá para confiar em reis; eles só existem para serem combatidos.
Abraços
:)
É como dizem e bem sabemos: a vida é mesmo sempre um risco, não?
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